segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

[CINEMA] Busca Implacável 3

Em comparação aos seus antecessores, Busca Implacável 3 até que não decepciona quem curte ver Bryan Mills trocando uns bons sopapos com a bandidagem e escapando de acidentes que se provariam fatais para qualquer azarado que não se encaixe no perfil do protagonista. Mas o novo capítulo da franquia estrelada por Liam Neeson, ainda em ótima forma como ator de filmes de ação, não chega a empolgar tanto quanto o primeiro longa, especialmente devido à repetição da fórmula do ex-agente da CIA que retorna aos velhos tempos para proteger sua amada família dos criminosos. Ao menos existe uma novidade por aqui: desta vez ninguém é sequestrado.
Com roteiro assinado por Luc Besson e sob a direção de Olivier Megaton, a terceira aventura de Bryan tem início quando sua ex-mulher, Lenore (Famke Janssen), aparece morta e ele passa a ser caçado à exaustão pelo esperto detetive Francke Dotzler (Forest Whitaker) como principal suspeito do crime. Enquanto tenta provar sua inocência perante as autoridades policiais, o herói ainda tem o trabalho de caçar os responsáveis pela morte da antiga companheira e, de quebra, garantir que nada de ruim aconteça à sua filha, Kim (Maggie Grace). O filme ganha pontos pelas cenas de ação, que incluem uma sobrevivência básica a capotagem de carros e as tradicionais garrafas de vidro quebradas na cabeça dos criminosos, garantindo cerca de duas horas de diversão em frente à telona. Mas talvez não seja uma má ideia que os roteiristas aposentem de vez o ex-agente secreto, que já detonou tudo o que tinha para detonar e merece levar uma vida sossegada de cidadão comum, sem traficantes ou empresários corruptos à espreita para ameaçar os entes queridos.

Nota: 8,0 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

As frases feitas mais ditas pelos militontos virtuais

Não contentes em garantir mais uma final entre PT e PSDB nas eleições presidenciais, simpatizantes de ambos os lados se sujeitam a um flamewar desnecessário, quando deveriam estar discutindo como o Brasil deve ser administrado nos próximos 4 anos. Abaixo segue a relação dos argumentos mais esdrúxulos que já encontrei por aí até o momento (e que teimam em se multiplicar às centenas, como uma praga):


Quem é rico/estudado vota em Aécio, quem é pobre/analfabeto vota em Dilma

Tenho amigos tão instruídos quanto eu (ou até mais!) que pretendem reeleger Dilma, assim como amigos tão ou menos escolados (mas não necessariamente ignorantes - que isso fique claro!) que desejam votar em Aécio. Proponho aos pseudoentendidos em política o desafio de explicar qualquer relação obrigatória (se houver!) entre grau de escolaridade e afinidade partidária.


É nós contra os outros! (rico x pobre / coxinha x empada / burguês x bolseiro família)

Eleição não é jogo de futebol, e sim um instrumento para escolher o responsável por cuidar do Brasil nos próximos 4 anos. Qualquer que seja o grande vencedor do pleito deste ano, tanto a esquerda quanto a direita sairão no lucro, enquanto os meros mortais continuarão tomando bem no centro (com o perdão da expressão).


Se Dilma ganhar vai acontecer isso, se Aécio ganhar vai acontecer aquilo

Quem ganha para fazer previsões é cartomante e empresa de pesquisa de mercado. Portanto, pare de encher o saco dos outros com ladainhas do tipo "Dilma vai transformar o Brasil em uma ditadura" ou "Aécio vai privatizar todas as estatais".


Na época de FHC isso, na época de Lula aquilo

Há muito tempo FHC deixou a vida pública (convenhamos: ele é melhor sociólogo que presidente) e Lula já avisou que não quer saber de 2018 (que dirá de 2022!). A quem insiste nas sessões de nostalgia no Facebook: diversos museus pelo Brasil têm vagas abertas para você.


O partido do meu candidato investiga / vai investigar casos de corrupção e punir os responsáveis

1) Partido não investiga porcaria nenhuma. Essa atribuição cabe ao Ministério Público e à Polícia Federal.
2) Como diz o ditado, "ladrão de tostão, ladrão de milhão". Não adianta comparar números de mensalão, trensalão, petrolão e não-sei-mais-o-quê-salão: a democracia não é uma gincana para decidir quem rouba menos.
3) A maioria absoluta dos envolvidos em tais episódios costuma seguir intocada pela lei ou, se presa, ganhar a liberdade em menos tempo que o previsto. Não ponha a culpa em Dilma ou Aécio: é a nossa legislação que precisa de reparos urgentes para punir efetivamente os corruptos, qualquer que seja a filiação partidária de cada um.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

[CINEMA] Lucy / O Doador de Memórias

LUCY (LUCY)

Dirigido por Luc Besson, Lucy vale o ingresso mais pela intensa atuação de Scarlett Johansson, que dá vida à personagem-título, e efeitos visuais do que pelo enredo, baseado no famoso mito do uso de 10% do cérebro, já devidamente refutado pela realidade (só para ilustrar: até quando dormimos o órgão permanece 100% ativo!). O filme narra as desventuras de Lucy, uma turista americana obrigada por um chefão do tráfico em Taiwan a transportar no abdômen uma droga sintética chamada CPH4. No cativeiro, um chute na barriga da futura heroína explode a bolsa, liberando uma enorme quantidade da substância, que confere à moça uma série de habilidades sobre-humanas, a começar pela telepatia. Após se livrar rapidamente dos captores, Lucy rapidamente contata o cientista Samuel Norman (Morgan Freeman) na esperança de que ele possa salvar sua vida.
Se você espera ver a protagonista usando os superpoderes a torto e a direito, como se nada no Universo fosse capaz de detê-la, melhor nem gastar míseros 5% da massa cinzenta para isso: o longa foca mais na ficção científica - com direito a uma baita discussão sobre espaço-tempo - que na ação. No máximo, contente-se com policiais desmaiados e mafiosos levitados apenas com a força do pensamento.

Nota: 7,5


O DOADOR DE MEMÓRIAS (THE GIVER)

À primeira vista, apenas mais um filme baseado em best-seller e protagonizado por um adolescente que resolve contestar um regime totalitário. Com base nessa premissa, a adaptação cinematográfica do romance de Lois Lowry não consegue fugir da comparação com títulos do naipe de Jogos Vorazes e Divergente, mas até que não soa tão adolescentoide demasiadamente juvenil quanto os congêneres. O Doador de Memórias se passa em um futuro distante no qual as pessoas, organizadas em comunidades, vivem sem qualquer lembrança do passado e com todas as emoções suprimidas, de forma que não corram o risco de passar novamente por todo tipo de sofrimento prévio (guerra, racismo, etc.). Um desses afortunados, Jonas (Brenton Thwaites), é proclamado Recebedor de Memórias, com a atribuição de armazenar todas as memórias, boas e ruins, anteriores ao surgimento de sua comunidade. Treinado por um antecessor, denominado Doador (Jeff Bridges), o rapaz percebe aos poucos que o mundo aparentemente perfeito esconde uma terrível distopia capitaneada pela Anciã-Chefe (Meryl Streep) e passa a questionar tudo o que vivenciou até então.
Embora não seja tão empolgante em termos de ação ou romance, o novo trabalho de Phillip Noyce ganha pontos na atuação dos intérpretes, nas cenas bem construídas e na abertura da discussão filosófica sobre o papel do Estado em uma sociedade, só que o diretor erra a mão quanto à superficialidade com que retrata o choque de visões de mundo. Em uma cena, por exemplo, a Anciã-Chefe se limita a afirmar que "se os humanos puderem escolher, farão as escolhas erradas". E a parte final se encarrega de abaixar a crista de quem esperava um desfecho à altura da trama em si. O filme não chega a ser ruim como um todo, porém o tema central - a intromissão do Estado na vida íntima dos cidadãos - merecia ser melhor abordado.

Nota: 7,0

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Pirotecnia: uma ducha de água fria na boa intenção

O Desafio do Balde de Gelo mal desaguou por estas bandas e já começou a descer pelo ralo da mediocridade. No exterior, a pessoa despeja sobre si um balde com água e gelo, faz doações para entidades ligadas ao tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa rara e letal, e desafia um amigo, que passa a brincadeira adiante. Aqui, o que vale é surfar nessa onda humanitária em troca de likes no Facebook e holofotes, como têm feito muitas celebridades - embora isso não seja exclusividade delas. Depositar uma quantia para apoiar a causa e postar o comprovante no Instagram ninguém quer...
Não é a primeira vez - e muito menos será a última - que pseudoengajados usam campanhas ou situações comoventes como um pretexto para atrair mais atenção a si mesmo do que à causa original (lembra-se daquela reação inteligente do lateral Daniel Alves ao racismo? Um zoológico teria sido insuficiente para abrigar tantos Homo sapiens doidos por 15 minutos de fama). Felizmente, nem todo mundo aceitou navegar no oceano da autopromoção. Que o digam o humorista Rafinha Bastos, que usou um balde vazio para criticar a falta d'água em São Paulo, e a apresentadora Xuxa, que não apenas pôs um ponto final em sua não participação na modinha, como também desafiou os colegas famosos a provar que realmente se preocupam com os portadores da ELA. Já disse Jesus Cristo certa vez: "Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará" (Mateus, 6:3-4). Em outros termos: quem pretende ajudar o próximo que preste a bendita (e sempre bem-vinda) caridade em silêncio, e não em um festival idiota de pirotecnia que apenas se presta a agregar publicidade pessoal.

[CINEMA] Crítica: Os Mercenários 3

O terceiro filme da saga roteirizada por Sylvester Stallone se presta ao simples e puro entretenimento, repetindo a fórmula dos longas anteriores: tiros, explosões, pancadaria (desta vez, com a ilustre participação dos lutadores profissionais Victor Ortiz e Ronda Rousey) e, claro, uma rodada de cerveja após detonarem centenas de inimigos e implodir vizinhanças inteiras sem pedir licença a ninguém. Também não poderia faltar o clássico autodeboche, que aborda aspectos da vida profissional e até pessoal dos artistas, como pode ser visto na cena em que os fortões resgatam o sarcástico Doctor Death, que cumpria pena por sonegação fiscal - assim como seu intérprete, Wesley Snipes, na vida real.
Não espere uma história mirabolante e sem rodeios. Aliás, este nunca foi o forte da franquia Expandables. Mas, se você faz questão de ficar por dentro da nova aventura de Barney Ross e seus amigos, lá vai: desta vez, os Mercenários têm pela frente um perigoso traficante de armas, Conrad Stonebanks (Mel Gibson), ex-membro e co-fundador do grupo. O vilão dá as caras em uma operação de rotina e põe os ex-companheiros para correr com seu poder de fogo superior, com direito a uma maldadezinha básica - ferir gravemente um deles - antes de fugir. Deduzindo que os veteranos não mais podem dar conta do recado (uma curiosa referência ao fato de Stallone, Schwarzenegger, Ludgren, Gibson e companhia já terem passado da hora de se aposentar) e sentindo-se culpado pela atual situação, Barney dispensa o grupo sem muito peso na consciência e corre atrás de sangue novo, convocando quatro novos integrantes - Smilee (Kellan Lutz), um ex-fuzileiro que ganha a vida em lutas clandestinas, Luna (Ronda Rousey), uma hostess dura na queda, Thorn (Glen Powell), um veterano especialista em ataques cibernéticos, e Mars (Victor Ortiz), um atirador da pesada. Posteriormente, a equipe ganha mais um novato, o tagarela Galgo (Antonio Banderas), que havia sido dispensado em um recrutamento anterior.
No âmbito geral, ninguém sai perdendo com essa salada mista da old school com a nova geração. Os atores principais revivem a época áurea do cinema de ação dos anos 80 e 90 (embora os tiroteios sejam um pouco mais tímidos em comparação aos outros dois filmes da série), enquanto o público tem mais uma oportunidade de vê-los reunidos em um mesmo filme. Se você simplesmente gosta de ver os bandidos caindo com uma bala enfiada na testa e não faz a menor questão de manter o cérebro ligado para entender a história, Os Mercenários 3 não vai te decepcionar.

Nota final: 7,5

terça-feira, 15 de julho de 2014

Copa-2014: Tetracampeonato, uma vitória do planejamento alemão


Assim como o Brasil e a Itália, a Alemanha teve de esperar 24 anos para chegar ao tetracampeonato mundial, com a diferença de que não precisou chegar aos pênaltis. Méritos de Göetze, que substituiu o veterano Klose ao final do tempo regulamentar e marcaria o único gol da partida (e do título) na segunda metade da prorrogação. Os germânicos não apenas jogaram uma ducha de água fria na alegria da Argentina pela terceira vez em Copas, como também se tornaram a primeira seleção estrangeira a conquistar um Mundial nas Américas - um feito até então inédito na história da competição.
Engana-se, porém, quem pensa que a campanha vitoriosa dos alemães teve início na estreia contra Portugal, em Salvador. Até 2000, eles não costumavam levar o futebol tão a sério. Quando foram despachados da Eurocopa ainda na fase de grupos, finalmente tomaram vergonha na cara e decidiram reformular completamente o esporte. O resultado de tanto esforço se traduz hoje em estádios lotados e uma rigorosa legislação que, entre outras coisas, obriga os clubes das principais divisões do país a investir nas categorias de base, pagar em dia os salários dos atletas e limitar os mandatos de seus respectivos dirigentes. Essas profundas mudanças não demorariam a refletir na seleção principal, que chegou ao terceiro lugar em duas Copas consecutivas (uma delas, inclusive, em casa) e ao vice-campeonato europeu em 2008. Ainda faltava um Mundial para coroar de vez a bem sucedida trajetória germânica - e ele merecidamente chegou às mãos do atual elenco, magistralmente comandado por Joachim Löw. Para a Mannschaft, entretanto, não bastava analisar os esquemas táticos das seleções adversárias para surpreendê-las em campo. Fora das quatro linhas, o time adotou a estratégia de interagir com os anfitriões, substituindo a própria fama de sisudos pela simpatia e humildade com que correspondiam às calorosas recepções dos admiradores.
Pronto, o caminho para a taça estava quase traçado. Mas os alemães tinham de percorrê-lo, claro. E o fizeram com muita classe e sangue frio, apesar de oscilações na fase de grupos. O planejamento a longo prazo, a disciplina tática e o talento dos jogadores contaram muitos pontos a favor do êxito da Alemanha na Copa das Copas. A nós, brasileiros, resta aproveitar as lições de modernidade e humildade para reconhecer que estamos muito atrasados tecnicamente e que há muito tempo o futebol de qualidade reside no outro lado do Atlântico - enquanto isso, Müller e companhia já começam a esquentar as baterias para seu próximo desafio, a Eurocopa de 2016, na França.

domingo, 13 de julho de 2014

Copa-2014: Por que assistir à final Alemanha x Argentina

Tudo bem, esta não é a final que nós, brasileiros, esperávamos para a Copa das Copas. Mas a disputa da taça entre alemães e argentinos pode amenizar o 4º lugar conquistado pela Seleção de forma pífia, por culpa menos dos atletas que do atual treinador e da CBF. Se não fez bonito dentro das quatro linhas, o Brasil deve se orgulhar do golaço de placar que marcou ao receber muito bem os estrangeiros, cuja maioria passou a ter uma nova (e mais positiva) imagem do país, apesar dos problemas que nos afligem todos os dias.
Voltando ao Mundial de 2014, convoco todos os fãs de futebol  - só por educação, o convite se estenderá aos modinhas, :D - a acompanhar a finalíssima logo mais, às 16:00, com direito a show de Carlinhos Brown, Ivete e Shakira, qualquer que seja a seleção a erguer o caneco no Maracanã. Abaixo seguem algumas curiosidades para agitar o confronto derradeiro antes mesmo de a Brazuca começar a rolar no gramado do estádio carioca.

- Se vencer, a Alemanha se tornará a terceira seleção a conquistar o tetracampeonato 24 anos depois do terceiro título. Os demais felizardos foram Brasil (1970 - 1994) e Itália (1982 - 2006).
- Alemanha e Argentina se enfrentaram em duas finais consecutivas, as de 1986 e 1990. Os hermanos levaram a melhor na primeira, mas os germânicos sorriram por último na segunda. O Maracanã é o palco ideal para o "desempate" na terceira final entre as duas seleções em Copas.
- Nas duas últimas Copas (2006 e 2010), os argentinos foram despachados pelos mesmos adversários, os alemães, e na mesma fase (quartas de final). Alguém duvida que os nossos vizinhos querem descontar as reveses anteriores?
- Há 24 anos, a Argentina sequer chegava às semifinais de uma Copa - que dirá a uma final! Uma oportunidade de ouro para Messi, Agüero e companhia.
- Em 1990, a ainda dividida Alemanha conquistaria seu terceiro (e último) título pela porção ocidental. Esta pode ser a primeira Copa vencida pelos alemães como um país unificado.
- Os argentinos podem ainda contar com uma "sina" em torno do Brasil: desde 1986, nenhum time que nos eliminou de um Mundial venceu o torneio em questão. Por outro lado, a Albiceleste tentará novamente superar a "maldição de Tilcara", que a atormenta há 28 anos.
- O atual elenco germânico chegou à final graças ao trabalho coletivo, apesar de algumas quedas de produção na fase de grupos. Por sua vez, a Argentina deve sua caminhada até as semifinais aos lampejos de Messi. Somente a partir de então Sabella resolveu apostar no conjunto, adotando um estilo mais compacto que, embora ainda dependente do camisa 10 do Barcelona, levaria ao triunfo hermano sobre a Holanda nas penalidades. Portanto, não espere uma vitória elástica para qualquer dos lados.