No último domingo, o Fantástico, dominical da Rede Globo, exibiu uma reportagem sobre um projeto de lei, de autoria da deputada estadual Luiza Maia (PT-BA), que pretende proibir o governo estadual da Bahia de contratar, para eventos patrocinados pelo poder público local, bandas de axé e pagode que cantem músicas de duplo sentido - algo do naipe "Foge, foge, Mulher Maravilha", "Me dá a patinha" e "A perereca pisca-pisca".
Apesar de bem intencionada, uma vez que ninguém é obrigado a escutar as tranqueiras do momento, a proposta da parlamentar não faria o menor sentido se colocada em prática. Para começar, a Assembleia Legislativa baiana desperdiça tempo e energia em uma discussão desnecessária - o gosto musical (duvidoso) da população - quando deveria se preocupar com assuntos mais importantes como saúde, educação e segurança. Ressalte-se também que o pretexto de que "as músicas de duplo sentido estariam ferindo a dignidade feminina" não se sustenta pois os shows de bandas como Psirico, O Troco e Black Style costumam atrair muitas mulheres, que pouco se importam com o significado das letras cantadas. É curioso registrar que, vinte anos atrás, os baianos (menos eu, é claro!) requebravam ao som do É o Tchan - e nenhum integrante do grupo teve problemas judiciais por conta do erotismo dos "Segura o Tchan" da vida...