Em 2009, o Fluminense chegava à 30ª rodada do Brasileirão com 99% de chances de cair para a Segundona. Com muita garra, o time contrariou a estatística e venceu os jogos subsequentes até o último duelo, no qual se afastou de vez da degola com um singelo empate contra o Coritiba.
Em 2011, o tricolor carioca viajou ao Paraguai para se dar o luxo de perder para o Libertad por até um gol de diferença e, dessa forma, carimbar sua classificação às quartas-de-final da Libertadores. Os números tentaram novamente ditar o rumo do clube de guerreiros, sem sucesso. Só que, desta vez, o adversário riu por último - e melhor - ao aplicar 3 solenes chineladas nos visitantes do Rio.
Resumo da ópera: a matemática é sempre posta por terra pelo Fluminense - para o bem ou para mal do clube carioca (vide a montagem abaixo).
Ao perder para os Estudiantes no jogo que valeria o título de tricampeão da Libertadores em casa, o Cruzeiro confirmou uma terrível sina para times brasileiros que disputam finais do torneio sul-americano contra equipes estrangeiras. Esta macabra tradição teve início em 2000, quando o Palmeiras empatou em casa com o Boca Juniors e levou a pior nos pênaltis. Dois anos depois, o São Caetano, em sua primeira decisão internacional, foi despachado pelo paraguaio Olympia, também nas penalidades finais. Em 2003 e 2007, os argentinos do La Bombonera derrotaram fora de casa o Santos e o Grêmio, respectivamente. No ano passado, o Fluminense tomou 4x2 da LDU na primeira partida, fez 3x1 no Maracanã e levou a decisão aos pênaltis. Os equatorianos saíram do Rio felizes da vida.
Acrescentando o fracasso de ontem do Cruzeiro, de 2000 para cá são seis as ocasiões em que um time brazuca viu a conquista do principal torneio das Américas escapar em casa. Vale salientar que, nesse período, os 2 títulos do Brasil na competição foram possíveis em decisões caseiras (o São Paulo venceu o Atlético-PR em 2005; o Internacional sagrou-se campeão em 2006 diante do tricolor paulista).
Ontem à noite, o Cruzeiro viu ruir no Mineirão o sonho do tricampeonato da Libertadores da América. Vindo de um empate em 0x0 com o Estudiantes de La Plata na semana passada, na casa do adversário, a Raposa precisava vencer em casa para não ter de disputar o título de 2009 nos pênaltis. O primeiro tempo não foi lá essas coisas. Os dois times não ameaçavam muito um ao outro.
Após os 45 minutos iniciais, a equipe mineira teve de esperar os atletas do Estudiantes chegarem ao campo com um certo atraso - possivelmente uma estratégia dos hermanos para literalmente esfriar o sangue dos cruzeirenses. Logo no início da segunda etapa, Henrique chutou de longe, a bola bateu na perna de Desábato e enganou o goleiro argentino, fazendo 1x0 para o Cruzeiro. Naquele momento, os donos da casa pareciam ter deixado de lado o nervosismo com que jogou o primeiro tempo e prometiam se impor em campo. Entretanto, os visitantes só precisaram de 6 minutos para mostrar que não estavam passeando no Mineirão. Cellay aproveitou um descuido da defesa adversária e contou com o azar dela para fazer a bola chegar a Fernández, que não teve muito trabalho para enfiá-la na rede. O empate em 1x1 começou a corroer o emocional dos jogadores do Cruzeiro. Aos 27 minutos, mais desespero para os brasileiros: aproveitando a cobrança de um escanteio por Verón, Boselli subiu sozinho e cabeceou a redonda, que quicou de forma a enganar o goleiro Fábio e sacramentou a virada do Estudiantes. Até o final da partida, os mineiros tentavam atacar de todas as formas, porém a agonia atrapalhava algumas conclusões que tinham tudo para ser convertidas em gol. Os argentinos aguentaram o tranco, apesar de se sentirem pressionados pelos donos da casa.
Aos 47 minutos, o árbitro soltou o apito final, conferindo o 4º título do torneio sul-americano aos Estudiantes - que vão disputar o mundial de clubes em dezembro, nos Emirados Árabes, e esperam pegar o Barcelona como possível adversário na final - e fazendo a torcida local voltar para casa de cabeça baixa. Uma pena. O Cruzeiro melhorou no segundo tempo, porém caiu diante da forte marcação dos visitantes. Sem dúvida, os hermanos haviam feito um belo tapete de pele de raposa. Segue abaixo um vídeo com os melhores (para o Estudiantes) ou piores (para o Cruzeiro) momentos da final.